Talvez refletir não seja só para os espelhos...

A Dor e o Conhecer

Talvez eu erre no título... Melhor seria “a Dor do Conhecer”, ou ainda, “a Dor em Conhecer”. Mais uma vez volto a escutar Mozart - sua missa dos mortos - e com isso minhas reflexões voltam-se para as regiões mais obscuras do ser, especialmente do meu próprio ser. E nada mais negro do que a Dor carregada por nossas vidas Nada impede seu crescimento palautino e, por vezes, violento. A violência da Dor: o Conhecimento - a descoberta - talvez essa seja uma das formas mais deprimentes, frustrantes e penetrantes desse hediondo sentimento.

A Poesia, sempre tão pura e bela e melódica... Até o momento em que descobrimos a métrica; a História é grandiosa e imponente, mas é só tornarmo-nos atentos o suficiente para percebermos seu aspecto cíclico e banal para gritarmos de ódio! O que dizer das emocionantes Guerras, das Lutas, das Revoluções e de seus altos Ideais? Não passam de rios vermelhos como o kir que agora bebo. A Música morre, quando revelamos suas regras; e o mesmo ocorre com toda arte, técnica ou ciência. Não, não! O que nos causa o Conhecer, senão Dor e uma falsa sensação de progresso? Mas essas Dores ainda são suportáveis... A Dor fatal do Conhecer deita-se em outro leito...

Um novo gole; um novo parágrafo. O que seriam dessas linhas sem o álcool que as nutre. Talvez, lampejos de sanidade; talvez, a insanidade maior do senso comum. Volto-me agora para a verdadeira e aguda Dor do Conhecer. Essa, que é nossa companheira inevitável e necessária, desde o momento em que nossa pureza é maculada, desde que nosso mundo diminui, desde que nos centramos em nós mesmos e passamos a amar. Sim, essa Dor é o Amor: clichê do romantismo barato – e do romantismo erudito também. Amor é Dor, concentrando-se em duas facetas: o auto-Conhecimento e o Conhecimento do amado. Todo amor inicial é idealização e a desgraça está em Conhecer a si mesmo e ao monstro que te cerca, que te ama, que te envolve, que te agrada: nada vale pelo que é, nunca somos felizes quando enxergamos a verdade. “Não conheças o amor, e talvez sejas feliz” – gostaria dessas inscrições em minha lápide, pois assim ela seria ao menos educativa.

Sinos... O campanário toca... Conhecer não é nada além de sofrer! Pobres cientistas! Tirem a graça da ilusão no banal mundo. Quem não for cego destruirá as miragens que o amor constrói, e essas sim desmoronarão junto com teu coração enlutado e com tua alma dilacerada! Respondam-me, demônios, é melhor ser feliz na mentira, ou infeliz na verdade?"

Enrico Ravelli


Não, não se assustem! Nada relacionado com minha vida no momento – pelo menos não diretamente - vero! Só que certos trechos da literatura me chamam a atenção e acho que gostaria de ouvir opiniões a respeito. E nada como textos de um legítimo "bohemian revolutionary" para levar à reflexão neste blog! No mais, aproveitando as férias para descansar, ler, refletir…

Escrito por GUi FicKle às 23h15
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